
A grife Prada elegeu um embaixador polêmico: seu adolescente já absorveu
A Prada, uma das grifes mais reconhecidas do mundo, está no centro de um debate internacional depois de anunciar o cantor e artista palestino Marwan Abdelhamid como novo embaixador global da marca. A campanha gerou reação imediata de grupos de defesa de Israel em diferentes países: nas imagens oficiais, Abdelhamid aparece com um colar exibindo um mapa que incorpora territórios israelenses sob o slogan ‘from the river to the sea’. Para uma grife que declara defender inclusão e paz, a contradição levantou uma pergunta que vai bem além das passarelas: quando uma marca escolhe um rosto, que valores ela está realmente afirmando?
O show em Amsterdã que colocou o artista no centro da polêmica
Em novembro de 2024, durante um show em Amsterdã, Marwan Abdelhamid pausou a apresentação para agradecer publicamente a um grupo envolvido em agressões contra torcedores israelenses que saíam de um estádio. O episódio registrou a imagem de um artista disposto a usar seu palco para validar violência, mesmo que de forma indireta. As imagens circularam rapidamente pela internet e geraram reação em diferentes países.
O que ficou do episódio não foi apenas uma declaração política. Ficou uma associação pública difícil de desvincular: Abdelhamid passou a ser reconhecido como alguém que usou seu alcance para se posicionar ao lado de um grupo que atacou pessoas com base na origem. A Prada conhecia esse histórico. Escolheu esse artista mesmo assim. E essa escolha, ao contrário de um post casual, foi registrada em campanha oficial da marca.
Quando o símbolo no pescoço do embaixador fala mais que o comunicado da marca
A expressão ‘from the river to the sea’ é um dos pontos de maior tensão no debate sobre o conflito israelense-palestino. Para grupos de defesa de Israel, a frase implica a negação da existência do Estado de Israel. A Prada optou por exibi-la no pescoço de seu embaixador global em 2026, transformando uma campanha de moda em um posicionamento geopolítico explícito.
Especialistas em comunicação de crise observaram que a marca fez o oposto do que alegava defender. Uma grife pode promover inclusão reunindo representantes de origens diferentes; pode defender coexistência com escolhas que sinalizem esse valor. A Prada preferiu um artista com histórico específico de violência endossada, e essa preferência foi lida pelo mercado global como posicionamento deliberado. A contradição levantou uma pergunta: quando uma empresa escolhe um lado, o consumidor que usa a marca também está escolhendo?
O que uma escolha de marca revela sobre quem forma a próxima geração
Por trás da polêmica da Prada há algo que todo adulto em contato com adolescentes precisa enxergar: quando uma grife escolhe um embaixador, não está fazendo apenas marketing. Está sinalizando ao mundo inteiro quem é admirável, que tipo de postura merece destaque, que forma de agir no mundo vale a pena imitar. Esse sinal chega ao adolescente muito antes de qualquer debate adulto sobre geopolítica, ética corporativa ou valores de marca.
O líder que ignora esse mecanismo perde uma janela de formação que raramente aparece duas vezes. Seu adolescente não consome apenas roupas ou músicas. Ele absorve narrativas, referências de comportamento e sinais sobre quem merece ser admirado. Quando uma marca globalizada coloca alguém específico como seu rosto, está participando ativamente da construção do senso ético do adolescente, e o discipulado cristão precisa entrar nessa conversa.
O adolescente que admira antes de perguntar quem merece ser admirado
Na psicologia do desenvolvimento, a adolescência entre 12 e 17 anos é a fase de maior intensidade na construção de identidade. Uma das rotas mais naturais desse processo é a identificação com figuras externas: artistas, atletas, marcas. O pesquisador Jonathan Haidt, em suas análises sobre a geração digital, documenta como a exposição contínua a referências visuais e simbólicas molda o senso de valor e admiração dos adolescentes antes que eles desenvolvam capacidade crítica suficiente para questionar essas referências.
O TIC Kids Online Brasil 2023 indica que 95% dos jovens de 9 a 17 anos usam internet no país, quase sempre pelo celular e sem supervisão adulta. Isso significa que seu adolescente provavelmente já viu a campanha, já viu o colar, e possivelmente já formou uma impressão sobre o artista, tudo antes de qualquer conversa com alguém que pudesse oferecer contexto. A admiração chega antes da pergunta. Isso muda o papel do líder.
3 perguntas para transformar a polêmica da Prada em discipulado real
Você não precisa dominar geopolítica para conduzir essa conversa com seus adolescentes. Precisa de perguntas. Na reunião da rede ou no encontro individual, você pode abrir assim: ‘Você soube da polêmica da Prada com o artista palestino?’ Essa abertura simples faz o adolescente sair da posição de espectador passivo e entrar no modo de quem está sendo convidado a pensar sobre o que consume, quem admira e por quê.
Paulo escreve que devemos pensar em tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, puro e amável (Filipenses 4:8). Esse versículo não proíbe o adolescente de consumir cultura ou acompanhar o que acontece no mundo. Ele ensina a desenvolver um critério: o que estou admirando eleva ou rebaixa? O líder que faz essa pergunta junto com o adolescente, usando uma polêmica real como ponto de partida, está formando discernimento de verdade.
- Você soube da polêmica da Prada com o artista palestino? O que você achou? (Abre o diálogo sem julgamento prévio.)
- Por que você acha que uma marca escolhe quem vai representar o seu rosto? (Faz o adolescente pensar em mecanismos, não só em opiniões.)
- O que a Bíblia diria sobre admirar alguém com esse histórico? (Conecta cultura e fé sem impor resposta.)
A polêmica da Prada vai passar. Outras marcas e outros artistas polêmicos vão ocupar o feed do seu adolescente nas próximas semanas. Mas o hábito de perguntar ‘o que estou admirando e por quê?’ é uma ferramenta que fica. Para aprofundar a formação do adolescente nas 8 marcas comportamentais da Geração Digital e entender como o líder responde a cada uma delas na prática, o livro DNA da Geração Digital traz o diagnóstico e as estratégias aplicáveis. Disponível em ia.adriellemos.com.br/produto/livro-geracao-digital/
Perguntas frequentes
O que aconteceu com a Prada e o artista palestino Marwan Abdelhamid?
A Prada nomeou Marwan Abdelhamid, cantor e artista palestino, como embaixador global da marca. A polêmica surgiu porque, em novembro de 2024, Abdelhamid interrompeu um show em Amsterdã para agradecer publicamente a um grupo envolvido em agressões contra torcedores israelenses. Além disso, a campanha exibiu o artista usando um colar com mapa que incorpora territórios israelenses sob o slogan ‘from the river to the sea’.
Por que essa polêmica importa para líderes de adolescentes cristãos?
Porque adolescentes de 12 a 17 anos absorvem valores das marcas e dos artistas que consomem antes de desenvolver capacidade crítica para questioná-los. Quando uma marca globalizada escolhe um rosto específico, está enviando um sinal sobre quem é admirável. O líder que ignora esse mecanismo perde uma oportunidade real de formação de discernimento.
O que significa o slogan ‘from the river to the sea’?
A expressão é usada em contextos pró-Palestina e é altamente controversa. Para grupos de defesa de Israel, ela implica a negação da existência do Estado de Israel entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. A Prada optou por exibi-la na campanha do embaixador, o que foi interpretado como posicionamento geopolítico explícito.
Como o adolescente absorve os valores das marcas que consome?
Pela identificação com figuras externas: artistas, atletas e marcas funcionam como referências de comportamento e senso de valor na fase de construção de identidade. Segundo Jonathan Haidt, a exposição contínua a referências digitais molda o senso de admiração dos adolescentes antes que eles desenvolvam capacidade crítica. Esse processo é acelerado pelo fato de 95% dos jovens de 9 a 17 anos usarem internet no Brasil sem supervisão adulta (TIC Kids Online 2023).
Como o líder pode usar essa polêmica como oportunidade de discipulado?
Com perguntas que convidem o adolescente a pensar, não com sermão. Três perguntas práticas: (1) O que você achou da polêmica da Prada? (2) Por que uma marca escolhe quem vai representar o seu rosto? (3) O que a Bíblia diria sobre admirar alguém com esse histórico? Essas perguntas transformam um evento cultural em formação de discernimento real.
Que versículo orienta o discernimento sobre cultura e influenciadores?
Filipenses 4:8 ensina a pensar em tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável e de boa fama. Esse princípio não proíbe o adolescente de consumir cultura. Ele ensina a desenvolver um critério: o que estou admirando eleva ou rebaixa? Aplicado à polêmica da Prada, vira uma conversa formativa poderosa sobre valores e fé.
Onde encontrar mais recursos sobre formação de adolescentes na cultura digital?
O livro DNA da Geração Digital, do Pr. Adriel Lemos, trata das 8 marcas comportamentais da Geração Z e Alpha e entrega estratégias práticas para líderes que querem formar adolescentes com intencionalidade. Disponível em ia.adriellemos.com.br/produto/livro-geracao-digital/
Fontes consultadas
- Prada é questionada ao nomear artista palestino crítico de Israel como embaixador da marca – Guiame
- StandWithUs Brasil: acompanhamento do caso Prada e Marwan Abdelhamid – StandWithUs Brasil
- TIC Kids Online Brasil 2023: pesquisa sobre uso de internet por crianças e adolescentes – NIC.br / CETIC.br
Adriel Lemos é pastor e psicólogo (Assembleia de Deus, Criciúma/SC), autor de quatro livros, entre eles o best-seller Ideologia de Gênero pela CPAD, e referência em liderança de adolescentes e jovens na era digital. Acompanhe também no Instagram: @adriellemos.



